segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Um Domingo fabuloso

Este último Domingo foi do melhor. Depois de um dia dos namorados que passou completamente despercebido, acordei com a minha vizinha a bater-me à porta, a dizer que eu tinha que estar pronta dentro de meia hora, porque tínhamos que ir a um casamento. Yes, madam! Com um sorriso nos lábios e sem mais perguntas.

Os casamentos aqui são fantásticos! Primeiro temos à entrada do local, um grupo de homens a dançar ao som de uma banda que prima por ser o mais ruidosa possível. Ao lado, as mulheres observam. Este é o grupo do noivo. O grupo da noiva está à espera, dentro do local onde vai acontecer o casamento. A primeira vez que vejo a noiva, acho que, apesar do sorriso, ela parece estar extremamente desconfortável debaixo do sari, do pano na cabeça, da grinalda gigante de flores que leva à volta do pescoço e que parece pesar quilos. Para além disso, tem todas as partes do corpo visíveis, adornadas de jóias. Só mais tarde reparo que ela passa o tempo todo com a cabeça inclinada para a esquerda, porque a indumentária não lhe permite pôr-se direita.
Dentro da sala onde decorrem as várias cerimónias que compõem um casamento indiano, está, no centro, um suporte cheio de cores e espelhinhos, debaixo do qual estão dois grandes cadeirões onde os noivos se sentarão mais tarde. Em torno desta estrutura estão sentados os convidados: os homens em cadeiras, as mulheres no chão. Não há o silencio e a solenidade que temos desse lado do mundo. Talvez porque a cerimónia seja composta por mini rituais em que participam diferentes elementos das famílias. Talvez porque seja muito difícil aos indianos manterem grandes grupos em silêncio durante muito tempo. A sala onde estamos sentadas, fica por cima de um templo, de um deus muito simpático. Vou visitá-lo com a minha vizinha e uma amiga dela e o padre de vestes cor de açafrão, oferece-me uma pequena coroa de flores, directamente da cabeça do deus e uns pedacinhos de coco! Talvez a minha aura ainda esteja rosa choque!

Depois do almoço vamos embora porque ainda temos que ir a casa de uma amiga da S. (nota: no casamento comem primeiro os "homens" do noivo, depois os "homens" da noiva, depois as "mulheres" do noivo e finalmente, as convidadas da parte da noiva... Inspira, expira, ...)
O resto do dia foi passado na área mais moderna da cidade, com direito a uma visita a um centro comercial (onde vejo o único coração, resquícios do S. Valentim) e Mc Donnalds para um gelado. Entretanto, vamos a mais um templo: uma grande casa, com um jardim cheio de árvores e que sabe muito bem, às 16h30, quando o sol queima. Protegida pela sombra, está a estátua de uma vaca, enfeitada com inúmeros pequenos deuses. As minhas amigas explicam-me que aqui adora-se a vaca. Eu sei, respondo, porque era o principal meio de locomoção de Sheeva (ou era Krishna? confundo-os sempre e elas também não sabem), uma das 3 principais divindades indianas e também porque a vaca, como os rios, é associada à maternidade. Exactamente! validam elas. De seguida, perguntam-me se estou com o período. É que se estivesse não podia entrar no templo. E eu começo a pensar que “contradição” é uma palavra que se dá muito bem por aqui.

5 comentários:

Vida Hi-fi disse...

Teresa,

Dei com o seu blogue percorrendo caminhos por outros blogues desconhecidos. Perante a minha confessada ambição de conhecer a India, fiquei fã. A viagem anda adiada e andará, talvez ainda por mais algum tempo. Entretanto, vou bebendo, também através de si, um pouco dessa fascinante civilização.
Ri-me. Sim, suponho que haja momentos em que só uma forte capacidade de controle de respiração permita assimilar tantas diferenças... mas nada que um "bridin"... "bridau" não resolvam!
Boa estadia. Boa missão!
Um abraço em Hi-fi

JoanaM disse...

Olá Teresa,

Adoro, adoro, adoro os teus posts! Fico cada vez com mais vontade de ir à India!

Beijinhos e aproveita muito :))
JoanaM

eduardo disse...

Meu Deus...Nunca imaginei que o casamento na India fosse assim. Estamos sempre aprender coisas novas. Para ti Teresa cada dia é uma nova aventura.

Anónimo disse...

Esses costumes são o máximo!
Imagino-te a ver essa mulherada toda silenciosa a ver os H a comerem.
Gostei de te ver na foto c/a noiva,só tenho pena de não te ver com as flores na cabeça.
Ainda bem que tiveste um great "Sundae".
Bjsssssssssssssssssssssssssssssss

Queiroz disse...

Como de costume, leio os posts sem ordem. Afinal, já havia a descrição do casamento.
Que incrível estruturação dos costumes...No próximo já sabes...chegas apenas no teu momento.
Beijo e diversão quanto possível!

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