sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Casamento n.º3

No dia a seguir ao casório dos desfiles no palco, estou no escritório com os meus colegas, a partilhar um almoço no chão da sala de reuniões, quando ouço um ruído insuportável no exterior. Parece uma série de tiros. Pelo ar descontraído dos meus colegas e pela música que uns minutos antes tinha começado a berrar lá fora, percebo que deve ser mais um casamento. Eu sei que já disse que por aqui o dia a dia é bastante ruidoso. Agora imaginem como são as festas. Portanto, em plena quinta-feira, debaixo do sol abrasador das 2 da tarde, a rua em frente ao nosso escritório é invadida por um grupo de mulheres e homens que, numa roda, dançam a “gerba”, ao som de uma banda estridente. A música tem um ritmo óptimo, bastante indiano (e muito pouco bollywoodesco).


A dança é feita em volta de um mercedes cinzento, enfeitado com uma gorda cobra feita de flores que vai desde a mala até ao capot. Os foguetes são acesos de dois em dois minutos, enchendo a rua de fumo.
Dou dois passos atrás e ponho um ar preocupado, quando reparo num homem de óculos escuros, que se coloca ao lado do carro, segurando uma espingarda enorme. Mais uma vez, sou a única com cara de preocupação. Quando os meus colegas param de rir, explicam-me que é uma pistola de pressão de ar. Mesmo assim, nunca fiando...

Uns momentos depois, sai de dentro do carro um noivo de fato cinzento brilhante, a destilar gotas de suor, visíveis até à distância a que estou. Mas nem com o noivo fora do carro a dança pára. A música continua, o cantor agarra o microfone e os altifalantes, maiores que eu, continuam a debitar o mesmo ritmo. Uns momentos mais tarde, desaparecem todos. Quando saio do escritório às seis da tarde, as bancas de fruta e legumes ocupam os seus lugares de sempre, guardadas pelos vendedores habituais. A única prova das festividades são os confetis coloridos que jazem no chão.

5 comentários:

Pedro disse...

Olá, como vai a menina? Pelos vistos sempre em festa! Esta semana para acompanhar a cultura fui ver"slumdog millionaire" " quem quer ser bilionário",sei que por ai tem dado polémica o titulo,cão rafeiro, mas o filme é engraçado, recomendo. Em tempos falei de um livro, mas já estou a imaginar um filme, com todas estas descobertas que nos vais transmitindo muito bem. Muitos beijitos e abraços! Uma optima continuação!

eduardo disse...

Desde criança que ouvi um ditado popular que dizia "Na terra para onde fores viver, faz como vires fazer". Mas há limites... Cada vez vez que leio um texto teu, fico assustado com as tradições da India. Possivelmente existem razões para este tipo de manifestações. Mas realmente há limites.

Helena Almeida disse...

Goi!!
Bolas, por aí há casamentos em cada esquina. É interessante questionares se há algum tipo de celebração religiosa... eu também fiquei curiosa:)
BEIJOS!!!

Renato disse...

A arma é uma caçadeira de canos paralelos...

Para ser uma arma de pressão de ar, tinha que ter a cabine da mola atrás dos canos acoplada na coronha.....
E nunca os canos poderiam ser tão largos...

Acho que te enganaram...

Queiroz disse...

Afinal há casamentos em todo o lado! Achei interessante a necessidade de demonstração social e sonora...embora esteja do outro lado do mundo.
Para a próxima há que aproveitar e dar um pé de dança...
Até ao próximo...

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