quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hospitais (e desabafos...)

Á espera no corredor do hospital

(Os últimos dias têm sido uma mistura muito estranha de altos e baixos emocionais. Com a publicação da notícia e com todos os contactos subsequentes, experimentei uma histeria que só posso justificar como felicidade concentrada. No entanto, como todos os highs, parece que a ressaca nos ataca sem dó nem piedade e transforma toda aquela energia, num soco no estômago. Não aconteceu nada que o justifique. Talvez todos os contactos tenham agudizado as saudades. Não sei. Mas volto a sublinhar a falta que faz o encontro diário com amigos. Mesmo não os vendo, apenas sabendo que estão perto. E pensando na ausência dessa proximidade física, parece que a solidão se entranha nos ossos. Ou talvez esteja apenas a ter um momento de auto-comiseração. Acho que também lhes tenho direito.)


Para pôr as coisas em perspectiva, não há nada como uma visita a um hospital indiano. A ong onde estou faz hoje anos e preparamos uma campanha de angariação de fundos em alguns hospitais locais. Bem sei que Portugal não é o topo de gama no que diz respeito a cuidados de saúde, mas entrar num hospital público indiano arrepia. Não há o choque óbvio da visualização das doenças (ou dos doentes). Esse já o temos quando na estrada vemos as pessoas que dormem no passeio ou as crianças que brincam, semi nuas, num monte de terra. O choque é o das instalações. Grandes, amplas e com uma camada de terra entranhada no chão, nas paredes, nos gradeamentos... Algum pessoal circula de bata branca, mas nem estas inspiram grande confiança. A limpeza do hospital é feita por uma senhora (de sari), com uma vassoura tradicional, como se usa em qualquer casa indiana, feita com umas fibras naturais (que alguém menos bem intencionado poderia confundir com palha). A ventilação é feita por aberturas cobertas com grades e eu pergunto-me como será o cenário na altura das monções. As poucas janelas têm os vidros cobertos com restos de tinta, papeis e a sempre presente poeira. E como já me tenho vindo a habituar, sou a única pessoa que olha em redor com surpresa. Todos circulam com a maior naturalidade e até com uma característica raríssima em paragens indianas: calma e relativo silêncio...

5 comentários:

eduardo disse...

Ainda falamos nós da saúde em Portugal? Confesso que pensei que a tua discrição ia ser bem pior. Mas assim vai o mundo. Parabéns pela entrevista ao JN. Espero que gostes da que vai sair no Mats. Hoje.

Teresa disse...

É outro mundo, o nosso! Conhecer outras realidades faz-nos perceber que os nossos problemas são muito pequeninos comparados com outros!
Concordo contigo! Estar longe dos nossos, a um passo de marcar um cafezinho, um jantar com uma amiga, corroi-nos a alma! E a solidão tem mesmo dentes de chumbo! Claro que tem muitas vantagens fazer parte e conhecer um mundo diferente do nosso! Mas o problema, é quando ela nos crava os dentes!!! Beijos e até breve!

PEDROBLOG disse...

Olá!
Bom, nada é perfeito,tens montanhas de aventuras para mais tarde recordar. Já estou a ver as reuniões com uma serie de filmes e alguem a dizer .... depois, depois no Bus temos tempo de divagar. Continuo deliciado com as tuas descrições! Toneladas de abraços...

Alice disse...

A saude por ca anda assim,assim,
mas temos de dar gracas por termos o
que temos.

Fico sempre encantada com as tuas
descricoes.Es uma escritora nata.
Temos todos muitas saudades tuas
mas o tempo passa depressa.

Um xi grande da

Auntie Alice

Queiroz disse...

Afinal o longe e a distância sempre existem...e de que forma!
Quando há um ombro por perto tudo se torna mais fácil. Estamos contigo, e não te queremos nessa montanha russa. Que o amanhã te traga um nascer do dia em pleno.
Beijo

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