quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Post de uma morte anunciada

Sim, o blog está votado ao abandono, mas desta vez não peço desculpas. O regresso tem ritmos estranhos e variadíssimos e quando pensamos que estamos mais estáveis e prestes a entrar numa rotina, que finalmente nos vai permitir começar o raio da tese, acontecem 238 coisas ao mesmo tempo, que nos deixam atarantadas. Uso aqui o nós real, mas a quem me refiro é a mim, já se sabe.

Pois em pouco mais de um mês tive casamentos e funerais, internamentos e biópsias, festas, noitadas e directas. Parece extracto de vida concentrado, tudo a cair em catadupa que é para ter mais efeito. Está a ser interessante, mas com tanta montanha russa, não há tempo, disposição nem paciência para proceder ao registo das actividades neste espaço. Quando as horas que antes se passavam numa secretária, com pouco para fazer e tempo para escrever, são substituídas por experiências, dramas, aventuras, enfim... vida à portuguesa, temos mais é que mergulhar de cabeça neste caldeirão de acontecimentos, senão arriscamo-nos a perder os pormenores. Que são os que fazem toda a diferença.

Em breve haverá uma apresentação pública das experiências que foram sendo registadas nesta Fila ao longo destes tempos. Deverá acontecer em Matosinhos e será recheada de fotos, relatos e detalhes sórdidos e será anunciada aqui. Depois partiremos para outra. Até lá, roubo a ideia à Inês.
Beijinhos, Teresa

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

A chegada: carne, lágrimas e livro

Em jeito de contrição, cá venho contar, tin-tin por tin-tin (raio de expressão...), a minha fabulosa chegada à pátriazinha. Ainda me parece mentira que em 25 horas de voo (muitas mais passadas nos aeroportos) tenha conseguido atravessar literalmente, meio mundo. A rapidez das viagens tem o inconveniente de não nos dar a noção das distâncias percorridas. Como tenho dito muitas vezes, se tivesse feito a viagem de navio e demorasse seis meses a cá chegar, era capaz de o impacto não ter sido tanto e de ter havido uma real noção dos kms percorridos. Assim não. Mas poupou-se tempo.

A chegada ao aeroporto foi do melhor. O avião estava meio vazio, com pacatos passageiros que vinham de Frankfurt (já ali ao lado). Eu destoava um bocadinho no meio da calmaria portuguesa porque, a partir do momento em que aterramos no Sá Carneiro, comecei aos saltinhos, com um sorriso estúpido atravessado na cara e que mais nenhum dos meus colegas de voo percebia. O que senti ao transpor as portas da saída e ao encontrar a minha família e amigos à espera foi indescritível. Acho que entrei num estado de euforia, num semi transe, que me pôs aos saltinhos (literalmente) durante a hora em que estivemos na zona das chegadas. Enchi-me de abraços, de beijos, de mimos que me souberam como nada antes. Tinha flores, peluches e gente muito boa à minha espera, a segurarem uma faixa com o cabeçalho desta Fila Indiana (não fosse eu voltar completamente perdida e não reconhecesse ninguém...).

As celebrações duraram o resto do dia, com as maravilhosas Super Bocks na praia de Matosinhos, essa bela localidade. À hora de jantar, mais uma surpresa para agradar à menina: um mega jantar com mais família ainda e mais amigos, picanha, caipirinhas, música ao vivo e mais saltinhos, já se sabe. Quem me viu diz que foi por ter comido o canguru em Camberra. A cereja em cima do bolo e a grande surpresa da noite, que me deixou muda e queda, de queixo a rebolar pelo chão foi o livro que os meus pais (e a Super Rita) fizeram, com a compilação dos textos e fotos da Fila. Deve ter sido a primeira vez que alguém escreveu um livro sem o saber...

sábado, 10 de Outubro de 2009

Estranho

Eu peço desculpa pela longa ausência, mas a aterragem na nova velha vida, está a demorar mais tempo do que eu alguma vez poderia imaginar. Os encontros têm sido carregados de emoção, lágrimas e risos, muitas jantaradas e muita troca de histórias. Mas é estranho estar de volta a um ambiente que pouco mudou. E depois do radicalismo das minhas experiências aqui descritas, é-me estranho encontrar-me rodeada pelos meus amigos de sempre, nas esplanadas do costume, a ter conversas... normais. Não sentimos que passou quase um ano. O que por um lado é bom sinal: de força das relações que não se abalam com o tempo nem com a distância. Mas por outras vezes, parece que tenho que repetir a mim mesma que a Índia aconteceu realmente e não foi apenas algo com que eu sonhei entre dois cafés numa praia em Matosinhos.

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Nervoso miudinho

Esta e a minha ultima noite em Sydney. Depois de tantos meses, depois de tantas aventuras, comeca mais uma etapa, pela qual tanto ansiei. Dai os nervos. Desejar muito uma coisa coloca muita pressao quando ela se concretiza. Curiosamente, encontro semelhancas com o que senti nos momentos antes de partir para a India. Tambem estava a concretizar um sonho. De anos. Daqui a dois dias, concretizo uma fantasia de meses. Os abracos, beijos, lagrimas foram todos imaginados durante muitas noites indianas. Agora mal acredito que o momento esta aqui. Dois dias. A viagem de regresso comeca amanha as 10 horas australianas e so termina no dia seguinte as 11 da manha portuguesa. Com fusos horarios pelo meio e depois de atravessar meio mundo dentro de um aviao. Estas ferias no meio dos cangurus e dos koalas foram fabulosas, mas parece que me confundiram. Sinto que me encontro numa normalidade que nao devia ter lugar entre as duas dimensoes que me rodeiam e que ainda me sao estranhas. De um lado, a minha vida indiana com todas as peculiaridades e paradoxos que aqui descrevi. Do outro, o regresso ao que ja foi rotineiro e familiar e que me questiono se ainda o sera.
Este desabafo parece que me enche de forca e de vontade de descobrir a resposta. Sydney maravilhosa fica para tras, nao `e casa, nao `e portuguesa. Apesar da simpatia de todos, nao tem os mimos nem o calor da cozinha da minha tia, dos abracos do meu pai, dos risos dos meus amigos. Estou de volta minha gente. Com nervos miudinhos e com muita saudade e com imensa vontade de a matar.

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Nos antipodas

Sem tempo para grandes conversas, deixo-vos as primeiras fotos destas ferias, que estao a ser d-o-m-e-l-h-o-r! Atingi o nirvana no MacDonald's, fui ao Zoo ver os cangurus e os koalas, que nao se encontram em mais lado nenhum em Sydney, andei de barco, fui a praia... Enfim, vim parar ao paraiso, apesar do tempo estar bastante cinzento. Aqui ficam algumas imagens incluindo, como nao podia deixar de ser, o meu primeiro bife!

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Adeus Surat... Ola Sydney!

Este e o meu ultimo dia em Surat. As malas ja estao prontas, o quarto completamente desprovido das minhas personalizacoes, os nervos em franja! Agora estou literalmente a contar os minutos ate as quatro da manha, hora a que a minha grande viagem comeca. Este e o inicio de uma outra aventura, o regresso a casa e o comeco do resto da minha vida. Estou muito optimista e quero aqui deixar registado que, apesar de todos os contratempos, esta experiencia correu melhor do que eu alguma vez podia ter imaginado. Estou feliz. Pura e simplesmente.
 
Para suavizar a transicao, vou passar duas semanas a Sydney com a Super Mae e os primos que la vivem. Nao sei quando vou ter oportunidade (ou muito sinceramente, vontade) para me ligar a world wide web, mas fica a promessa de, mais cedo ou mais tarde, colocar aqui as imagens das ferias. A Fila vai continuar viva apos o meu regresso, para registar tambem o meu reajuste a civilizacao. Estou curiosissima por saber como vai correr a re-ambientacao. Sera que podemos ter choques culturais de ricochete?
 
Entretanto, fica aqui o plano das festas: a saida de Sydney esta marcada para o ultimo dia de Setembro, o que quer dizer que, com todas as escalas que vou ter que fazer, esta previsto aterrar no fabulastico Aeroporto Sa Carneiro as 11h05 da manha do dia 1 de Outubro. Comecem com a preparacao fisica necessaria porque as celebracoes do regresso vao durar, pelo menos, um mes.
 
Muitos beijos, apertos de mao e xi-coracoes e um muito obrigada. Por tudo.
 
Ate ja!

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Pormenores XI

A 3 dias da partida, a manha comeca muito bem, com uma pequena comitiva composta pelas minhas vizinhas, que me vem oferecer tres tops, desenhados por uma delas. Dia que comeca a estrear roupa nova, e` dia feliz para mim!
 
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