sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A Grande Loucura de Ganesh

Ha historias que sao tao fora de tudo o que conhecemos, que nem sabemos por onde comecar. O fim de tarde de ontem foi assim. Os festejos do ultimo dia do Grande Festival de Ganesh comecaram de manha, mas a partir das tres da tarde ganharam tal forca que nos vimos obrigados a fechar a porta do escritorio.
Eu fui para a varanda tirar fotos aos carros com as estatuas do deus-elefante que iam em procissao ate a beira rio. A acompanhar os carros, iam cortejos de homens a dancar e a tocar tambores e a estalar foguetes que (quase) me desfizeram os timpanos. Ninguem faz barulho como os indiansos. O ambiente era parecido com o da queima das fitas, mas com deuses em vez de caloiros.

A loucura subiu de tom quando decidi ir com a minha amiga V ate a zona onde estavam a afogar as estatuas. Na India nada e feito de maneira simples. Os carros do cortejo paravam a entrada de uma viela onde ficam varios templos pequenos. A viela acaba no rio, com uma escadaria que a chuva e a lama tinham tornado escorregadia. Uma das maravilhas de ser uma celebridade em Surat e que nao ha policia que me pare. Eu e a minha amiga, passamos todas as barreiras de seguranca sem ter que explicar nada a ninguem e chegamos ao coracao da viela.


As estatuas sao levadas em bracos, escadas abaixo ate ao rio, o que nao e nada problematico com as esculturas mais pequenas, mas que se revela um verdadeiro esforco do corpo e da alma, com as estatuas que chegam aos dois metros de altura. Ver a cabeca do Ganesh a cruzar a esquina da viela foi quase como assistir a um parto. Como sempre o meu ar de choque provocou imensos risos.



O meu reconhecimentos pelas figuras de autoridade, resultou na nossa entrada no ultimo nivel de acesso: a berma do rio, onde so os deuses, os voluntarios de camisola amarela que os carregavam e os segurancas podiam ir. Mas a senhora do sari vermelho que, com um cajado maior do que ela, controlava todos os segurancas, levou-nos ate a beira da agua, onde as estatuas sao colocadas no que parece ser um fragil barquinho de madeira. A remos, afastam-se alguns metros da margem e sao tombadas na agua, para alegria de alguns e lagrimas de outros. Eu nao fui no barco porque me consegui esquivar aos convites, senao acho que ia com o Ganesh ate as portas do ceu. Ou ao fundo do rio Tapi.






2 comentários:

Vagamundos disse...

Seguimos contigo na procissão :) Diga-se de passagem que estás a aproveitar bem os últimos cartuchos indianos.
Bjs

Aurora - Ló disse...

Fizeste bem em não ir no barquinho.
Lá diz o ditado : Vale mais prevenir que remediar.
Beijo grande e já posso dizer :
até já ...

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