terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Feito do dia

Ontem consegui, sem mudar de passeio, evitar ser atropelada por uma manada de bois pretos que vinha na minha direcção...!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Um Domingo fabuloso

Este último Domingo foi do melhor. Depois de um dia dos namorados que passou completamente despercebido, acordei com a minha vizinha a bater-me à porta, a dizer que eu tinha que estar pronta dentro de meia hora, porque tínhamos que ir a um casamento. Yes, madam! Com um sorriso nos lábios e sem mais perguntas.

Os casamentos aqui são fantásticos! Primeiro temos à entrada do local, um grupo de homens a dançar ao som de uma banda que prima por ser o mais ruidosa possível. Ao lado, as mulheres observam. Este é o grupo do noivo. O grupo da noiva está à espera, dentro do local onde vai acontecer o casamento. A primeira vez que vejo a noiva, acho que, apesar do sorriso, ela parece estar extremamente desconfortável debaixo do sari, do pano na cabeça, da grinalda gigante de flores que leva à volta do pescoço e que parece pesar quilos. Para além disso, tem todas as partes do corpo visíveis, adornadas de jóias. Só mais tarde reparo que ela passa o tempo todo com a cabeça inclinada para a esquerda, porque a indumentária não lhe permite pôr-se direita.
Dentro da sala onde decorrem as várias cerimónias que compõem um casamento indiano, está, no centro, um suporte cheio de cores e espelhinhos, debaixo do qual estão dois grandes cadeirões onde os noivos se sentarão mais tarde. Em torno desta estrutura estão sentados os convidados: os homens em cadeiras, as mulheres no chão. Não há o silencio e a solenidade que temos desse lado do mundo. Talvez porque a cerimónia seja composta por mini rituais em que participam diferentes elementos das famílias. Talvez porque seja muito difícil aos indianos manterem grandes grupos em silêncio durante muito tempo. A sala onde estamos sentadas, fica por cima de um templo, de um deus muito simpático. Vou visitá-lo com a minha vizinha e uma amiga dela e o padre de vestes cor de açafrão, oferece-me uma pequena coroa de flores, directamente da cabeça do deus e uns pedacinhos de coco! Talvez a minha aura ainda esteja rosa choque!

Depois do almoço vamos embora porque ainda temos que ir a casa de uma amiga da S. (nota: no casamento comem primeiro os "homens" do noivo, depois os "homens" da noiva, depois as "mulheres" do noivo e finalmente, as convidadas da parte da noiva... Inspira, expira, ...)
O resto do dia foi passado na área mais moderna da cidade, com direito a uma visita a um centro comercial (onde vejo o único coração, resquícios do S. Valentim) e Mc Donnalds para um gelado. Entretanto, vamos a mais um templo: uma grande casa, com um jardim cheio de árvores e que sabe muito bem, às 16h30, quando o sol queima. Protegida pela sombra, está a estátua de uma vaca, enfeitada com inúmeros pequenos deuses. As minhas amigas explicam-me que aqui adora-se a vaca. Eu sei, respondo, porque era o principal meio de locomoção de Sheeva (ou era Krishna? confundo-os sempre e elas também não sabem), uma das 3 principais divindades indianas e também porque a vaca, como os rios, é associada à maternidade. Exactamente! validam elas. De seguida, perguntam-me se estou com o período. É que se estivesse não podia entrar no templo. E eu começo a pensar que “contradição” é uma palavra que se dá muito bem por aqui.

Para que não haja confusões

Sinalética à entrada dos quartos de banho num complexo de salas de cinema

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

No Templo

A entrada simples não deixa adivinhar o que se encontra por detrás daquele portão de ferro enferrujado, com um mar de sapatos a ocultar o tapete. Mandam-me guardar óculos de sol dentro da carteira. Entramos num pátio com um grande edifício no centro, rodeado de pequenas casinhas. Em frente ao edifício estão inúmeras mulheres de sari a espreitar o que se passa lá dentro. Atrás delas, os homens sorriem, vestidos de branco.

Temos que circular no sentido dos ponteiros do relógio. A minha falta de domínio do Gujarati e o inglês quebrado dos meus colegas, impede-me de perceber o porquê desta peculiaridade entre muitas outras. Numa das construções mais pequenas, está um grupo de pessoas observar, sorridente e encantada, enquanto um padre "coloca as cores no deus", dizem-me. E numa sala interior vedada por um corrimão, um padre jovem, de barbas negras e vestes brancas, salpica uns pós brancos e cor de rosa, primeiro pelo chão e depois pelos lençóis que cobrem as paredes em volta da estátua de uma figura meia humana, meia animal, carregada de jóias de ouro e diamantes, ofertas dos crentes.

De repente, o padre pára e olha para a plateia, com um ar sério e surpreendido, como se só agora tivesse reparado que estávamos ali. Pega numa mão cheia de pó branco e lança-o com toda a força para cima das pessoas. Depois atira o pó cor-de-rosa. É uma benção, explicam-me.

Cá fora, o tocador de gongo, de cabelo rosa choque abençoado, começa a dar pancadas ritmadas no prato metálico que tem pendurado à sua frente. As pessoas que assistem, batem palmas ao mesmo ritmo e cantam, enquanto seguem com o olhar o padre (que entretanto já se encontra no edifício maior) e que agora põe as "cores da vida" noutros dois deuses.

Atrás deste pátio, o templo tem um grande jardim, com um espaço enorme cheio de pássaros e patos. Os bancos de jardim espalhados dão a ideia que este é um sítio onde se pode vir e passar uns momentos em paz e sossego, o que numa cidade cheia de vacas, motas e buzinadelas equivale a um oásis no meio do deserto.

Depois da euforia do lançamento do pó colorido, as pessoas dispersam-se com alguma rapidez, não sem antes beberem água de um pote que se encontra nas escadas do templo e comerem uma folha, que a mim foi oferecida pela mãe da D.

No dia seguinte reparo que as plantas dos meus pés ainda estão tingidas de cor de rosa e sorrio. Estou abençoada!

Welcome to India...

Dois dias em casa, com movimentos intestinais irregulares (se é que me percebem)... Bem-vinda à Índia ou como já me habituei a dizer "Faz parte da experiência!"

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Hospitais (e desabafos...)

Á espera no corredor do hospital

(Os últimos dias têm sido uma mistura muito estranha de altos e baixos emocionais. Com a publicação da notícia e com todos os contactos subsequentes, experimentei uma histeria que só posso justificar como felicidade concentrada. No entanto, como todos os highs, parece que a ressaca nos ataca sem dó nem piedade e transforma toda aquela energia, num soco no estômago. Não aconteceu nada que o justifique. Talvez todos os contactos tenham agudizado as saudades. Não sei. Mas volto a sublinhar a falta que faz o encontro diário com amigos. Mesmo não os vendo, apenas sabendo que estão perto. E pensando na ausência dessa proximidade física, parece que a solidão se entranha nos ossos. Ou talvez esteja apenas a ter um momento de auto-comiseração. Acho que também lhes tenho direito.)


Para pôr as coisas em perspectiva, não há nada como uma visita a um hospital indiano. A ong onde estou faz hoje anos e preparamos uma campanha de angariação de fundos em alguns hospitais locais. Bem sei que Portugal não é o topo de gama no que diz respeito a cuidados de saúde, mas entrar num hospital público indiano arrepia. Não há o choque óbvio da visualização das doenças (ou dos doentes). Esse já o temos quando na estrada vemos as pessoas que dormem no passeio ou as crianças que brincam, semi nuas, num monte de terra. O choque é o das instalações. Grandes, amplas e com uma camada de terra entranhada no chão, nas paredes, nos gradeamentos... Algum pessoal circula de bata branca, mas nem estas inspiram grande confiança. A limpeza do hospital é feita por uma senhora (de sari), com uma vassoura tradicional, como se usa em qualquer casa indiana, feita com umas fibras naturais (que alguém menos bem intencionado poderia confundir com palha). A ventilação é feita por aberturas cobertas com grades e eu pergunto-me como será o cenário na altura das monções. As poucas janelas têm os vidros cobertos com restos de tinta, papeis e a sempre presente poeira. E como já me tenho vindo a habituar, sou a única pessoa que olha em redor com surpresa. Todos circulam com a maior naturalidade e até com uma característica raríssima em paragens indianas: calma e relativo silêncio...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Em Fila Indiana no JN

Saiu hoje, fresquinho, fresquinho, na última página do Jornal de Notícias.
Obrigada à Cláudia Monteiro pelo óptimo trabalho de transformar um telefonema de uns (largos) minutos, numa boa notícia.


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